Alfredo Yarra

Alfredo Yarra tem sido o único cultor, em Portugal, daquilo a que se poderia designar "instalações literárias". Cruzando a desconstrução espacial das artes plásticas com o experimentalismo da mais interessante literatura, tem produzido pequenas peças que têm por objectivo, como diz, «não serem nem lidas nem escritas, e mesmo assim subsistirem à erosão do tempo e ao espanto da criação».

Consciente embora da importância epistémica de factores como a localidade, a imersão do sujeito no objecto, a participação do intelectual na construção do espaço mediático, as suas preferências pessoais sempre propenderam para um discurso mais pausado (frequentemente silencioso), uma abordagem semiologicamente mais sistémica e descentrada, em planos que vão desde os paradigmas mais conceptuais até às opções mais do quotidiano como a geográfica, atitude em que certos críticos, menos atentos, pretenderam injustificadamente ter descortinado referenciais de bucolismo arcádico.

Com o fascínio da compatibilidade com (e, mesmo, potenciação de) um tal quadro operacional, a Net afigurou-se como a solução de continuidade capaz de restaurar (mais, estruturar) a comunicação entre Alfredo Yarra e uma sociedade que cada vez mais se deseja da Informação. É assim que nasce a Galeria 42. O presente espaço, agora e aqui na infância do seu devir, propõe-se não só como uma janela para a obra do autor, mas também (e mais ainda) como lugar de reflexão, de encontro de perplexidades, aberto a outros olhares, outros discursos, consubstanciando quanto nos for possível o que é afinal o ideal de uma webart/linkart em permanente fluxo temporal: um apelo constante à peregrinação revisitadora, ao fascínio pela metamorfose.

A porta epistolar está aberta, em provocação de novos desafios: yarra@galeria42.com é o caminho cibernético que (assim o anseia o artista) transmutará o cibernauta em mais um actor deste modesto canto da noosfera.